Até daqui a pouco...

Oi gente,

Provavelmente, hoje é meu último dia de blog neste "querido" blog da UOL, com o qual já estava tão familiarizado. Mas, em tudo deve haver renovação, não é??? Pelo menos o que deve ser renovado, assim o será...

Mesmo sabendo que cruzarei com muitos de vocês pela frente, deixo meu contato para que não nos percamos de vista nem de lida: contato@ericobaymma.com.br ou http://www.ericobaymma.com.br .

Até daqui a pouco!



por Erico Baymma 17h09
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 I M A G E M  S O M B R A  L U C I D E Z

É com imenso prazer que estamos fazendo o lançamento mundial dos discos "Imagem Sombra", de Érico Baymma, e "Lucidez", com composições de Alexandre Lemos e interpretação de Marianna Leporace.

Entramos por uma caminho não muito usual: estamos disponibilizando para download o conteúdo integral dos cds, de forma a que a grande maioria das pessoas tenha acesso ao trabalho que estamos desenvolvendo.

Simultaneamente, deixamos registrado, com felicidade, o peculiar prazer de burlar algumas regras mediadas no cenário musical/fonográfico bem como, que as coisas aconteçam neste "patamar" também é uma razão para um certo lamento, por um direcionamento completamente equivocado, registrado há anos, no que diz respeito ao próprio cenário, em suas qualidades e tamanhos defeitos.

No entando, você. ouvinte de nosso trabalho, vai repassar para quem puder este acontecimento, não é???

Acesso pelos sites Erico Baymma

Espero que gostem!



por Erico Baymma 10h46
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Diana Krall - TemptationDiana Krall

The Girl in the other room II

É certo: o instante é tão somente impulso. Para algumas coisas funciona o olhar e a atitude. Noutras, é preciso estar em observação para sentir...

Depois de algumas audições, entende-se o que é o novo álbum da Diana Krall: um momento de imensa lucidez sobre si, sobre seus recursos, suas limitações - o fator consciência em plena ação.

"The girl in the other room" é possivelmente aquela que ficava observando as piruetas espetaculares e as experiências "cotidianas" da outra garota que fazia experimentações, e mostra-se, tornando-se uma síntese consistente sobre o seu ser e a artista. O álbum traz a maravilhosa qualidade de ser ao mesmo tempo espetacular e introspectivo, assertivo.

Em "The Girl...", Diana Krall apresenta quais "conclusões" retira de sua trajetória artística, num maravilhoso retrato de engrandecimento de olhar e aprimoramento artístico. Vem para nós como a "outra" garota que reconhece como suas as próprias façanhas, o que é um espetáculo ainda maior - sem o glamour exagerado que pede o espetáculo.

Portanto, é uma experiência interessante observar a consistência de uma "band leader", a maravilhosa pianista e cantora, que passeou pelo jazz, pelo blues, pelo pop, por canções intimistas e outras sensibilidades, com maestria e simplicidade (apesar do marketing glamouroso que sobre ela foi injetado).

Ouvir "The girl in the other room" é ter a melhor experiência de observar um lindo quadro que é feito do processo, e não do momento estanque e que, principalmente, não existem rótulos - quanto mais é delimitador caber em algum escaninho identificado.



por Erico Baymma 05h41
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Relax

 



por Erico Baymma 16h49
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Um todo escuro de tudo

e a luz redimensionadora

de um ser o som






Tinha somente doze anos e não retinha a significação de que observava a transformação da branca luz em cores que ainda hoje tentam descobrir. Os milhões de variantes cromáticos que se fazem em subdivisão pelo volume das coisas, pela ação da luz, ainda continua crescendo, com possibilidades de chegarmos aos trilhões de tons e semi-tons de cores que um dia descobriram o brilho da lua, através de sua própria escuridão. Cores que dizem que a lua não possui o lado escuro, pois é toda escura.

Fui sentindo que eu era o prisma que transformava tudo aquilo, em refração, criando tessituras anímicas, densidades sensoriais intangíveis e inexplicáveis que ao mesmo tempo que me comoviam, como um carinho leve nas costas, impunham na mente uma dimensão de textura quase plástica, quase concreta e completamente quase elástica, de forma a que sentisse as variantes timbrísticas de uma sinfonia de desilusão, significado total a qual não tinha acesso, por ser tão novo, talvez.

Assistia o mundo continuando a enlouquecer, sem a mínima preocupação que viesse a enlouquecer, ou que entendesse o que é isso, juntamente a este grande universo que se aspirava ao buraco negro da mais intensa sensação da existência.

Era música, um recado deixado em forma de disco de vinil, por um desconhecido que nunca conheci, já enlouquecido e, talvez por isso, seria lúcido o suficiente para me deixar aquele formato de mensagem à disposição distraída, como se não houvesse o propósito de anunciar uma explosão interior da qual nunca me afastaria.

Obviamente, não saberia como imaginar que se tratava de algo a ser decodificado, por mim, criança e pulsão pura, ou pelos avanços tecnológicos que durante décadas percorreram a forma de fazer-me entender a linguagem, por meio de sons colados, multiplicados, transmutados, adequadamente extensionados, divididos pelos ouvidos, em estéreo; pelo imaginário da quadrifonia, à qual nunca conheci, e hoje, na ambientação sonora superficial de um dolby 6.1, que é a margem máxima de qualidade sonora proposta à popularização.

Nunca poderia saber que naquele momento em que ouvia moedas caindo na máquina de registrar, viesse a ser pressurizado pela ideologia que me faria um jogo complexo de inclusão e exclusão da minha pessoa, por toda a minha existência – no que posso saber concretizando até os dias de hoje. E que isso não aconteceria somente comigo, o que é pior.

A evolução dos sons, aquela verdadeira massa sonora que me ia adentrando, delicadamente trabalhada com um propósito apurado – milimetricamente calculado pelas sensações de quem já vivera uma história e vivia a compulsão pop inglesa –, a música encantada por palavras que, entoadas por vozes (expressivas ou intimistas) se realizavam, em mim e no meu mundo, através de um sentimento gerador, pretensioso o suficiente para se fazer filosofia contemporânea – como hoje pouco sei.

Tudo era tão somente som, uma mistura energética de impulsos traduzidos por vozes, ruídos, instrumentos e outras vibrações de intensidade multi-dimensional, pra mim, criança que crescia sem saber, envolta no redemoinho das oscilações sonoras, sem ligar para o fato que guitarra era o grito da década e conseqüente rebeldia de alguns, impingindo-se concreta como grito de guerra em símbolo irretocável, pela propriedade de ser estridente e mais distorcida, naquelas épocas descoberta.

Não entendi quaisquer das palavras, mas senti todos os sons. Eles me habitam até hoje, o que é um sinal de que um mundo se descortinava frente a mim, sem que eu soubesse se era a peça ou o espectador, sem saber em que parte do teatro me alocava (nem senti a necessidade de saber), sem saber se havia um lado escuro ou claro a conhecer, sem saber que o espetáculo é feito das ilusões das luzes incidindo diretamente sobre os espaços vazios da escuridão inerente a todas as coisas, para lhes dar volume, para lhes dar algum significado, já que solitárias não tinham.

A inexistência brincava ludicamente com o sonho, e a existência se contemplava dramática e vaidosa, confirmando a tragédia que vem desde os gregos – pelo que sei. Talvez viesse de antes. Talvez nunca tenha existido tal dimensão sensorial. O sofrimento pode não compôr a solidão. A alegria pode não compôr o sorriso. Tudo pode ser que não nada.

Nesta lembrança elaborada de um momento de iluminação, ingênua o suficiente para não ser tudo ou nada – como se fosse eu o criador daquela obra, pois eram minhas, somente minhas as descobertas. Não compartilhei nenhuma informação sobre a criação nem a descoberta com ninguém, durante anos e anos. Enquanto vejo aquele momento habitado pela mais terna criança, emociono-me agora por ter sido um privilegiado e ter escutado aquela música pela primeira vez – como se ressentem os compositores da obra.

No entanto, todo ressentimento se valida na vaidade de ter vivido plenamente a possibilidade do “vir a ser”. Foram e são sucesso, são referência histórica e estética como um dos trabalhos musicais mais importantes da metade de um século tão transformado e mutado, em si – talvez, a primeira experiência genética sobre o ser vivo que é a vida. Mas, o século não foi presenteado com o dom de ser transformador. Este talento fica para os criadores do cotidiano e, agora, enquanto me refiro a eles, então jovens, que ouviram o raio vibrante de dentro de seus corações e criaram a tempestade sonora, repleta de energia, de vitalidade, de jovialidade, cujos sentidos ainda estará por ser escrito – por mais os autores tentem decifrar os significados necessários à repercussão deste momento tão especial na vida.

A obra passa pelo criador e se espalha pela vida. E temos em mãos a marcha firme dos que, eventualmente, são compelidos a passar pela maldição de influenciar a série de gerações que se seguem após o acontecimento.






O disco “Dark side of the moon” é um livro que leio emocionado. Não me importo se vendeu muito, pois fui tocado por ele sem querer, naquele recado, talvez descuidado, de um distraído transeunte da minha vida. Hoje, já sei um pouco mais das palavras que contém sons, ou dos sons que contém palavras.





O DVD, documentário de uma história, tenta comprovar uma sorte de histórias que remetem à jovialidade de compositores ingleses que, ao se auto-criticar, “conceitualmente”, através de sons e palavras, compuseram uma das obras primas da minha vida.

O produto “Dark side of the moon” foi um dos precursores de uma estratégia de marketing fabulosa e extremamente bem sucedida – destas que se vê com freqüência falhar nas circunstâncias que os donos do poder e o tempo dão aos produtos e a duração em que mantêm aceso o interesse em forjar necessidade na população completamente indiferenciada. Freqüentou por mais de dois anos as paradas de sucesso da Billboard e continua sendo vendido sob formatos diversos, aumentando a renda dos jovens compositores iluminados que se deram à maldição de dizer: “Money” – "é o que queremos!", diz David Gilmor.



® All rights all right - Érico Baymma (20.01.2004)


por Erico Baymma 16h05
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Vigiar e Punir

Se controlar o que seu filho vê,

como controlar o que o afetará por não ver?

Dá pra ver o que em si não vê?

 

A liberdade é uma lente

que progressivamente

alimenta a consciência

do que é realidade

 

O que é ou não

a realidade?

 

Não iluda seus caminhos

Deixa-os rios e leve

flua sobre sua verdade

Entenda que desde a foz

o que brilha é luz

cada um dos fios

com sua própria intensidade

 

Tente

sente

entende

e faz-se

foz



por Erico Baymma 12h36
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Interseção

Interseção

àqueles que querem bem e esqueceram o caminho

 

O manto em que envolve o que há de seu a olhar é seu

O pranto que de lá retira é a sorte que o caminho lhe dá

O espanto que no espelho se encontra é seu a vingar-se

Na palavra que ao mundo atribui só há o que lhe contém

Seu sorriso de ironia nunca pertencerá a outro alguém

O verso rebuscado é tentar-se, no rachado, a reconstituição

Eleva as mãos a vistos olhos, não há novidades

Vê-se, vendo-se, vendendo-se, vendando-se

A participação que lhe cabe neste mundo é o sol e o seu olhar

Não meça molduras alheias – não é, nem será, capaz de vê-las

Há de influenciar-se pelas pedras e limos de sua existência

E, discretamente, varre insolúveis cacos pra debaixo do tapete

Cuida do que sua lente mira evitando refletir-se em não

Sorri de sua criança que é feita de ilusão e aceita amor

Cuida do que lhe é dado, como se o tempo revolvesse a si

 

Sozinho e recluso, calo, mudo o que tenho aqui e retorno

A um céu, provavelmente límpido, repleto de sóis

E lá, espero, mesmo, encontrar a nova parte dos nós

 

® All rights reserved - Érico Baymma (Fortaleza - 23.04.04 - 06:00h)



por Erico Baymma 06h14
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E N C A N T O

 

para Izaíra Silvino

 

tanto sol

tanta chuva

tanto nada

Deita-se, coração!

Descansa um pouco

Ao da estrada

Enquanto vazios

Os corações rasgam

O silêncio deste manto

Limítrofe, observador

Do tempo que

O espanto da alegria

Regrada e rápida

Chora o pranto

Dos vestígios letais

Do destino de quem

volta

Escolta a esperança perdida

Deixe-a vagar em seu canto

Leve como a solidão

® All rights reserved - Érico Baymma (Fortaleza - 16.04.04 – 8h)



por Erico Baymma 08h48
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Stefano Di Battista - Round about Rome

Stefano Di Battista - Round about Rome

Completamente desconhecido da "maioria" - seja o que isso fôr, sei que estou incluindo na exclusão deste conhecimento, até agora - Stefano Di Battista, junto a Vince Mendoza (regente e arranjador) articularam esta obra chamada "Round About Rome". Um repertório caprichado - caprichado é muito pouco - sensibilíssimo, sensibilidade que se estende a todos os passos dados neste admirável trabalho. Os arranjos e execução orquestrais, pela incrível Orquestra Sinfônica "Les Archets de Paris" são de um primor de dar água "nas ôiça". Uma coisa maravilhosa a virtuose sensível que acomete cada um dos envolvidos neste belíssimo disco.

Stefano Di Battista é um grande instrumentista do sax que se diferencia pela forma com que incorpora em sua performance da sutileza à virtuose "contida", sem agredir quaisquer das notas e, nem por isso, cercar-se de opressão, demonstrando uma veia ligada diretamente ao improviso rico.

O trabalho foi gravado em 2002! Comumente não temos acesso a essas maravilhosas obras-primas. É de garimpar, pois o ouro é certo!



por Erico Baymma 01h47
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At in & out

AT IN & OUT

I'm at the wrong way
Maybe so called absent
as sent to some sky
too high to mention

I'm in the wrong way
Maybe so called imprudent
as sent to make right things
as non-sense to judge or feel

I'm on the wrong way
Maybe so called influent
as sent to laugh as much
as obscene to mention

I'm beyond any thoughts
I'm beyond any space
or time to be touched
by what I cannot believe

Give yourself a chance
and let me go
beyond my control

I'm as far as some tears
falling by any love
made to fill my emptiness

I'm as close as my view
taking everyday's pictures
of the obscure side of life

I'm no one, seen
as a crowd running
into some unknown reasons

I'm all seasons all day out
I'm a doubt in our minds
and it couldn't be different

I am sent, I am a play
As I say the real fake
that truth wasn't supposed to say

And I do my own pray:
Give me reason to be free

® All rights all right - Érico Baymma (11.12.2003)



por Erico Baymma 08h13
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Diana Krall Collaborations

Quem não quer ?    



por Erico Baymma 05h59
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Um estrangeiro em terras conhecidas

 Um estrangeiro

em terras conhecidas

Caetano Veloso

É aparentemente imperativo falar-se a respeito do "super-ativo", quase onipresente (quando quer), Caetano Veloso. Não sei aprofundadamente que fenômeno é este, mas eis que se conclui algumas "viagens periféricas" à circunferência de diâmetro intangível que atinge este artista, e que dele se emana. Afinal, é o ovo ou a galinha que...

Caetano Veloso é um homem de seu tempo, seja qual o tempo que ele resolva freqüentar. Os súditos ajoelham-se ao trono do tempo em que a "oração" foi pronunciada. Chega-se a crer que ele é o próprio tempo.

Houve, em qualquer desses dias, uma tal de tropicália que se auto-denominou como último movimento musical organizado no cenário brasileiro e muita gente continua publicando livros a respeito dessa "verdade tropical". Assim escreveu-se um livro que é a própria verdade cultural brasileira, em si própria, condicionando-se como mais uma peça do grande espetáculo, que é o próprio espetáculo - ironicamente, traduz-se como o próprio ato de existir. O Caetano Veloso de "Transa" se espanta com o que em si sucede, e se recupera, provavelmente em "Estrangeiro". Mas, afinal, tudo é aceito.

Voltando à tarefa "mesma" de falar-se de Caetano Veloso, o artista lança um disco chamado "Foreign Sound" e atribui a tal produto a capacidade de estar interpretando o mundo atual, a queda do Império Americano, ao contrário.

Ao mesmo tempo, há anos e anos sem fio, norte-americanos, canadenses e tantos "estrangeiros" gravaram um pouco e tanto mais da beleza da música americana, dos standards diversos do jazz e blues, e da música pop e do rock e mais o que vier a se desejar traçar. Tornou-se o "filé" na música contemporânea comercial a prática de fazer releituras. Bom, não é culpa do "nosso" cantor ter demorado um pouco a perceber que tinha que passar por tal prática, afinal, passaram por esta fase George Michael (com o belíssimo "Songs from the last century"), Brian Ferry e Rod Stewart (em dois álbuns superáveis), isto sem falar nos cantores e cantoras de jazz que já o fazem costumeiramente . Mas, Caetano aproveita e politiza, economiza e dinamiza seu discurso sempre tão bem recebido como mais uma "verdade tropical". Sua atuação lembra muito um personagem desses, da novela das oito, afinal, é preciso falar inglês, é língua universal. Todos os olhos se voltam a "Ele"!

"Foreign Sound" não é nada mais, nem nada menos do que o que Caetano Veloso vem fazendo há muitos anos. Isto quer dizer: aproveita-se da melodiosa voz (que já se tornou "Standard" nacional, dando "aulas de canto" aos demais brasileiros, enquanto vê-se seu canto nos discos de Chet Baker, nos anos 50, em todas as inflexões e respirações, e tudo mais), unido aos ótimos percussionistas, sempre presentes, assim como ótimos instrumentistas à altura de um Jacques Morelembaum, que é "bão de vera".

Sim, é gostoso ouvir o repertório escolhido para "Foreign Sound", mas no que isso demanda qualquer atenção um pouco mais especial? No quê tem a ver com a música brasileira e seu destino?

Claro, é um bom disco. Ouve-se bons trabalhos. Gravou-se um disco com músicas na língua inglesa, "and so what"?

"Já está provado" que Caetano Veloso é quem consegue "articular" grandes produções, nos dias de hoje, como no passado, e que ele é ao mesmo tempo o ovo e a galinha, o criador e a criatura, queira-se ou não.

E... se até Alexandre Pires chorou pela "oportunidade" de cantar para Bush, por que não podemos ter Caetano Veloso cantando especificamente em inglês num belo repertório? Tudo faz parte do espetáculo!

Em um mundo de baixa resistência, Caetano Veloso comprova ser um produto de longevidade garantida.

 



por Erico Baymma 06h38
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The girl in the other room - Diana Krall

 

                                                             

The girl in the other room 

Diana Krall

Conheci a linda Diana Krall no auge de seu romantismo jazzístico, "When I look in your eyes", 1999, confirmado no trabalho posterior "The look of love".

Não sei nem se houve alguma motivação inicial para conhecê-la, não vi quaisquer críticas ou recomendações, a não ser aquela "sorte" de ir passando pela loja de discos e encontrar uma capa bonita e sentir que deveria conhecer "aquilo" bem mais perto. Não deu outra: fiquei imensamente apaixonado, já que tão emocionado, faixa a faixa se concretizava em uma maravilha, um achado, interminável. Arranjos de Johnny Mandel. Só podia! ("The look of Love" teve arranjos e orquestração de Claus Oggermann - arranjador e regente do antológico disco de João Gilberto, "Amoroso", sobre o qual se comenta que foi a referência inicial para que Diana Krall fizesse "The Look of Love", mesmo sendo um álbum renegado pelo cantor).

Hoje, 2004, 5 anos após este conhecimento, já tenho a vasta coleção de maravilhas que esta grande artista fez e faz em sua carreira.

E agora, temos seu casamento com Elvis Costello – ela não avisou a ninguém, pô! -, já dividindo parcerias com o marido, no que aumenta a expectativa do lançamento do novo disco "The girl in the other room". O cd faz uma viagem em clássicos contemporâneos como, por exemplo, a maravilhosa "Temptation", um clássico do repertório de Tom Waits, visita Joni Mitchell (de quem gravou a linda "A case of you" no "Live in Paris"), Bonnie Raitt, entre outras, fazendo experimentações sonoras diversas e bastante diferentes do que freqüentou em seus últimos trabalhos. Assim, ela adentra um universo mais seco, intimista e lírico, entre baladas blues e jazz de raiz, deixando-se à marca da influência de um Bill Evans ou Count Basie.

O disco está previsto para estar disponível a partir de 24 de abril, nos USA. Esperemos que a gravadora responsável lance-o tão imediatamente quanto é nossa expectativa e que sendo lançado por aqui, traga as faixas bônus "I’ll never be the same" e "Sometimes I Just freak out". Como não é comum termos as maravilhosas bônus tracks, só nos resta esperar um disco somente com as "sobras" de discos, onde estão muitas pérolas: "You go to my head", "Dreamsville" & "I should care", além dos vários discos em que ela possui participação completa, como no maravilhoso disco de Geoff Keezer "Turn up the quiet", entre outros.

Já está confirmado que a edição nacional do disco não terá as bonus tracks... Fazer o quê, né??? (14.04.04)

Diana Krall está muito bem num disco cujas experiências sonoras seriam risco para uma artista já "estabelecida", como normalmente ocorre, não "mexendo em time que está ganhando". Mas Diana Krall diferencia-se desde o início de sua carreira. Escolheu músicas que lhe dão o ar mais renovador de um artista, da arte que vive deste ar, dos traços no vento e no tempo em busca de novas formas, de novos volumes e muitas cores.

Agora é só esperar!

(O disco está previsto para ser lançado em 07.05.04)



por Erico Baymma 07h59
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Musa

M U S A

Houve, um dia, uma musa

um sol, que nela rebatia

os fios de luz-estrela

com que se faz resplandecente

 

Houve, outro dia, a mesma musa

confusa por tão perto eu chegar

no que a lente vida revelava

e sentiu-se retraída, encolhida

 

Rugas estão na carne do tempo

vento de sofrimento misturado

à imaturidade, por não observar

que o brilho vem do sol, a resvalar

 

A musa tentou, obtusa, então

frases de ninar, anseios de amor

respiração profunda, contração

em suma, perder-se no ar

 

A certeza dos amantes

é que a musa é só

farpa de alguns instantes

 

A certeza das musas

foi pendurada nos cabides

nos camarins de um cabaré

 

® All rights reserved - Érico Baymma (08.04.2004)



por Erico Baymma 03h07
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O banho d'Ana

O   B A N H O  D' A N A

 

Raios de luz acatam o próprio mistério do destino

incorporam as carnes de tanto sonho em ardor

levemente, em seu branco-azul gel

nada negará, nada temerá, amor

 

Em cada fio de luz água se faz pureza

métrica tecida em véu de beleza

adentra os póros em profusão, invasão

revira as normas da rebeldia

irradia comigo a consonância

novos olhares para um preciso tempo de esperança

 

Tempo sou, és tu, somos nós

consonantes, circunstâncias, instâncias

como o todo que nos reúne em céu

completamente límpido, tamanha pureza

 

Cuido tranqüilo da pureza do fato

beleza que se constrói, passo a tijolo

à eternidade do sentimento

 

E, quando assim não fôr

que aja a memória

que haja a vida

 

® All rights reserved - Érico Baymma (07.04.2004)



por Erico Baymma 00h53
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HOMENAGEM A NEWTON
Salvador Dali (1967)

"O homem tem
a capacidade
não só de explorar
o espaço exterior a si
mesmo,
mas de relacionar
suas descobertas
com seus próprios espaços
interiores
do pensamento
e das sensações.
Aqui, as ciências,
a filosofia
e as artes
podem se encontrar
e fecundar uma à outra".
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